A organização apresenta resultados do projeto que envolveu 3,5 mil inscritos de 15 municípios brasileiros. Iniciativa é parte da Estratégia Nacional de Educação Financeira
São Paulo março de 2018 –A Avaliação de impacto do Programa de Educação Financeira para Adultos, conduzida pela AEF-Brasil – Associação de Educação Financeira do Brasil, revelou que a partir da mudança de comportamento no que diz respeito às suas finanças, as mulheres beneficiárias do Programa Bolsa Família triplicaram a poupança para enfrentar crises e emergências. Antes do projeto, somente 23% tinham dinheiro guardado. Após o projeto esse percentual subiu para 38%.
Após serem sensibilizadas e orientadas nas oficinas de educação financeira desenvolvidas pela AEF-Brasil, o valor médio mensal poupado saltou de R$ 12,40 para R$ 37,10. O programa faz parte da ENEF – Estratégia Nacional de Educação Financeira e impactou 3,5 mil pessoas, incluindo também aposentados com renda de até dois salários mínimos de 15 municípios das cinco regiões brasileiras.
A fase de disseminação do Programa para as Mulheres Beneficiárias do Bolsa Família conta com o lançamento, em abril de 2018, pelo Ministério do Desenvolvimento Social (MDS). Iniciativa da ENEF – Estratégia Nacional de Educação Financeira, o Programa Educação Financeira para Adultos foi criado para reduzir a vulnerabilidade econômica e elevar as condições de vida da população de baixa renda no país. O projeto conta com o apoio dos Ministério da Fazenda e do Desenvolvimento Social, além do patrocínio do BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento e da Citi Foundation, e incluiu mapeamento dos públicos, criação de 43 tecnologias sociais para desenvolver o projeto, realização de oficinas de educação financeira junto aos técnicos do governo, além da aplicação do Projeto Piloto em 21 municípios em todo o Brasil.
Confira os dados no infográfico:
Educação Financeira reduz inadimplência de aposentados
No caso dos aposentados, o principal resultado foi a redução do número de inadimplentes que caiu de 21% para 9% depois de participarem das oficinas do projeto. E, após as aulas, 91% passou a pagar suas dívidas, número que chegava a 77%.
“No Brasil, 70% dos aposentados que ganham até dois salários mínimos, o nosso público, estão em posição de endividamento e vulnerabilidade econômica. Para transformar esse cenário fomos até a casa dos envolvidos, moramos com eles por algum tempo para estudar seus hábitos de consumo e seu núcleo familiar”, destaca Claudia Forte, superintendente da AEF-Brasil.
O mapeamento conduzido pela AEF-Brasil ajudou a identificar as despesas que faziam parte do cotidiano dos envolvidos nos Programas e a maneira como eles lidam com essas despesas. O relatório completo pode ser visualizado no link https://goo.gl/8U1jKu
Histórico
Iniciado em agosto de 2013, o Programa de Educação Financeira para Adultos envolveu 3.500 pessoas. O programa é dividido em cinco ciclos.
Ciclo 1: 2013 e 2014
Imersão no contexto dos beneficiários (entendimento do perfil dos públicos)
Nessa fase foram produzidas as tecnologias sociais a partir de um acompanhamento integral das rotinas das famílias envolvidas e do desenho dos perfis desse público. Os resultados indicaram alguns perfis que serviram de parâmetros para o desenvolvimento das tecnologias sociais. As mulheres beneficiárias do Programa Bolsa Família foram categorizadas em: a sonhadora, baixa responsabilidade sobre o uso do dinheiro por conta do impulso ao consumo; a visionária, responsável pela gestão do orçamento familiar, geração de patrimônio e de reservas e gestão de riscos e investimentos; a sobrevivente, que otimiza recursos limitados e a guerreira, que foca em escolhas a curto prazo.
No grupo dos aposentados, os perfis identificados foram: o dedicado, o que se endivida porque realiza os desejos alheios; o ancião que deseja empreender, aproveitar as oportunidades e investir nos filhos; o resignado, que abusa dos recursos financeiros; e o hedonista, que faz consumo imediato.
Para Claudia Forte, “a primeira fase de identificação dos perfis e avaliação das rotinas familiares foi fundamental para compreender as diferentes realidades de cada grupo que utiliza recursos financeiros de forma indevida e não permitindo espaço para a poupança, além da ausência do consumo consciente na tomada de decisão nos processos de compra e/ou aquisição”.
Ciclo 2: 2014 e 2015
Desenvolvimento e testagem de protótipos para criação das tecnologias
Inéditas no país, as tecnologias sociais desenvolvidas pela AEF-Brasil exclusivamente para este público, incluem, dentre outros recursos: cofres, carteiras, agendas e até uma telenovela. Após entender os públicos, foram criados protótipos de tecnologias sociais em educação financeira específicos para cada público. Os protótipos foram testados em três rodadas com os públicos em todo o país, envolvendo assim os próprios beneficiários no desenvolvimento: a cada teste, os materiais eram aprimorados. “Assim, pela primeira vez no país, um programa de educação financeira foi cocriado pelo público final, ou seja, feito com eles e para eles”, explica Claudia Forte.
Ciclo 3: 2016
Sistematização das Tecnologias Sociais
Após a fase de testes, uma versão final de todos os protótipos foi criada e sistematizada, com trabalho intenso no aperfeiçoamento das tecnologias.
Ciclo 4– Atual – 2016/2017
Projeto Piloto e Avaliação de Impacto
A ação passou por 15 municípios, nas cinco regiões brasileiras. Nesse período, os públicos participam ativamente do programa por meio de oficinas da participação nas educação financeira.
Ciclo 5 – 2017/2018
Disseminação
É a fase atual. O objetivo é tornar o programa uma política pública implantada em todo o Brasil. Para tanto, foram entregues aos Ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento Social, as tecnologias sociais desenvolvidas que servirão de subsídios para futuras ações dos Ministérios.