Documento será assinado no próximo dia 27 de maio, em Nova York, com a meta de expandir para países em desenvolvimento a tecnologia social do ViraVida, programa oferecido em 25 cidades brasileiras e em El Salvador
Brasília, 26 de maio de 2014 – O Fundo de População das Nações Unidas – FNUAP; o governo brasileiro, representado pela Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores – ABC/MRE, e o Conselho Nacional do Serviço Social da Indústria (SESI-CN) firmarão um acordo de cooperação técnica para apoiar adolescentes e jovens de países em desenvolvimento no enfrentamento à violência sexual, por meio da oferta de educação e emprego.
O documento será assinado no próximo dia 27/05, às 10h, durante a abertura do Seminário Internacional Formar e Empregar Jovens Através de Parcerias Público-Privadas: o Caso do Programa Brasileiro ViraVida contra a Violência Sexual. O evento acontece na sede das Nações Unidas, em Nova York.
Para selar a parceria, estarão presentes o representante permanente do Brasil junto à ONU, embaixador Antonio Patriota; o subsecretário geral e diretor executivo do FNUAP, Babatunde Osotimehin, e o presidente do Conselho Nacional do SESI, Jair Meneguelli.
A iniciativa tem como objetivo expandir a tecnologia social desenvolvida pelo programa ViraVida, do SESI-CN, a outros países, contribuindo com o enfrentamento à violência sexual em todo o mundo e estimulando a inserção social de jovens em vulnerabilidade por meio da educação e do trabalho.
O presidente do Conselho Nacional do SESI, Jair Meneguelli, destaca que o ViraVida está em 25 cidades brasileiras e, sua implantação em El Salvador, como política pública, demonstra que o programa é um investimento social com grande retorno para a sociedade. “O estudo de impacto do projeto realizado em 2012 constatou que o ViraVida proporciona excelentes resultados econômicos e sociais para seus participantes, famílias, indústria, comércio e comunidades”, acrescenta Meneguelli.
A partir do acordo, a FNUAP disponibilizará aos países interessados os conhecimentos técnicos desenvolvidos pelo ViraVida para aplicações em seus respectivos programas sociais dirigidos a jovens e adolescentes que enfrentam a violência e exploração sexual.
O coordenador da Área de Gênero, Direitos Humanos e Cultura da FNUAP, Luis Mora, informou que o seminário reunirá países que têm parcerias público-privadas voltadas para o enfrentamento de problemas sociais. “Apesar de sabermos que a violência sexual é um problema geral, estamos trabalhando com países que expressaram interesse em enfrentar essa questão e que possuem um setor privado forte, incluindo aqueles que estão envolvidos em ações de responsabilidade social corporativa”, disse Mora.
Seminário Internacional
No seminário internacional, programado para os dias 27 e 28 de maio, serão apresentados o cenário da exploração sexual dos jovens no mundo; a história e a metodologia do Programa Viravida no Brasil; as principais conclusões e resultados da avaliação de impacto do programa e a sua transferência e replicação em El Salvador.
No seminário internacional, programado para os dias 27 e 28 de maio, serão apresentados o cenário da exploração sexual dos jovens no mundo; a história e a metodologia do Programa Viravida no Brasil; as principais conclusões e resultados da avaliação de impacto do programa e a sua transferência e replicação em El Salvador.
Os países participantes também trocarão experiências sobre os projetos de atendimento a jovens e adolescentes excluídos, por meio do relato dos casos da Índia, África do Sul, México, Colômbia e Congo.
E, por fim, também serão debatidas as experiências público-privadas em diversas regiões do mundo e a importância das iniciativas lideradas pelo setor privado, como a Fundação Telefônica (Espanha), CISCO System (Estados Unidos), Hellosmille Partners (Japão), UN Global Compact e Fundo das Nações Unidas para o Desenvolvimento.
Projeto Vira Vida
Ao longo de seis anos, mais de 4 mil jovens e adolescentes, com idade entre 14 e 24 anos, foram matriculados no programa ViraVida. São atendidos meninas e meninos de famílias de baixa renda, que residem nas periferias de grandes centros e têm sua história de vida marcada por experiências relacionadas à violência física e psicológica, gravidez precoce e dependência química.
Ao longo de seis anos, mais de 4 mil jovens e adolescentes, com idade entre 14 e 24 anos, foram matriculados no programa ViraVida. São atendidos meninas e meninos de famílias de baixa renda, que residem nas periferias de grandes centros e têm sua história de vida marcada por experiências relacionadas à violência física e psicológica, gravidez precoce e dependência química.
Para atingir esse público, o programa é executado com a participação em rede do Sistema S, que são entidades patronais de diversos setores, governos, associações, ONGs e instituições idôneas conhecidas pelo atendimento a jovens com esse perfil.
Ao envolver universidades e instituições com expertise no campo de enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes, o Conselho Nacional do SESI desenvolveu uma proposta que vai ao encontro das políticas de proteção e promoção dos direitos da criança e do adolescente, das políticas para a juventude e do Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual Infantojuvenil.
Os cursos realizados combinam formação profissional e educação básica, com abordagem de temas como cidadania, saúde, doenças sexualmente transmissíveis, cuidados com o corpo, orçamento familiar e direitos, dentre outros. Além disso, garante atendimento integral aos alunos, incluindo tratamento médico e odontológico, orientação jurídica e atendimento psicossocial – extensivo às famílias.
Um dos aspectos mais destacados do ViraVida – o desafio de assegurar a inserção dos alunos concludentes no mercado de trabalho – leva o Conselho Nacional do SESI a realizar grandes esforços de sensibilização e envolvimento do empresariado brasileiro. Para isso, tem contado com a qualidade do ensino profissionalizante do Sistema S e do acompanhamento de egressos dos cursos durante o primeiro ano de inserção no mercado de trabalho.
Retorno Social Econômico e Financeiro – Estudo de Avaliação de Impacto Financeiro, Econômico e Social, realizado em 2012, demonstra que cada R$ 1 investido no resgate da cidadania e na inclusão social dos jovens atendidos pelo programa gera retorno de R$ 1,47 ao ano para a economia do país – uma “rentabilidade social” que, sob o ponto de vista econômico, supera muitas aplicações financeiras, pois proporciona ganhos de 47% ao ano ou de 3,26% ao mês.