Segundo a consultoria, mudanças nos hábitos e na relação dos consumidores
com o dinheiro geram oportunidades para o setor de pagamentos.
Person holding coins in his palm
São Paulo, abril de 2020 – A Kearney, consultoria global de gestão estratégica, acaba de divulgar um levantamento em que aponta que a COVID-19 (Coronavirus) mudou comportamentos de consumo e, na contramão dos acontecimentos, pode representar oportunidades para empresas inseridas no setor de pagamentos. Segundo a análise, embora o novo vírus esteja gerando impactos significativos na vida das pessoas e nas economias ao redor de todo o mundo, a pandemia afeta diferentes indústrias de maneiras distintas, e para a indústria de pagamentos, não há apenas más notícias. “Elas podem não apenas oferecer novos serviços, como também ajudar que os clientes passem por esse período de maneira um pouco mais fácil”, afirma Sachin Mehta, sócio da Kearney no Brasil.
No início de março, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou consumidores a reduzirem o uso de meios de pagamento com contato, especialmente o dinheiro físico. Como resultado, as pessoas agora pensam duas vezes antes de tocar cédulas de papel e moedas.
A Kearney ouviu 750 consumidores nos Estados Unidos sobre como a disseminação do coronavírus teria impactado o seu uso de dinheiro. De acordo com uma pesquisa, 9% deles agora evitam usar cédulas e moedas e 14% afirmaram que estão usando menos dinheiro. Outros 5% dizem que passaram a usar mais o dinheiro, enquanto para 73% dos entrevistados, nada mudou na relação com o dinheiro.
A análise aponta que a tendência de evitar tocar o dinheiro é mais significativa entre as mulheres e pessoas de meia idade, com 36% dos consumidores entre 55 e 64 anos afirmando que utilizam menos dinheiro. Ao invés disso, os consumidores estão migrando, em sua maioria, para os cartões, com uma menor porcentagem aumentando o uso de carteiras digitais.
Compras online
Embora os consumidores estejam fechados em casa na tentativa de achatar a curva de contágio e disseminação da COVID-19, eles não pararam de comprar. No entanto, durante o confinamento, 20% deles afirmam que aumentaram o consumo online, independente de gênero ou faixa etária.
De acordo com a análise da Kearney, 8% revelam estar gastando muito mais online agora do que antes do confinamento. Outros 12% dos entrevistados contam que estão gastando mais, enquanto 8% ampliaram as compras em lojas convencionais. Nada mudou no comportamento de consumo de 72% dos consumidores.
Como as empresas de pagamentos podem ajudar
Na visão da Kearney, o atual cenário representa riscos e oportunidades para as empresas de pagamentos à medida que seus clientes corporativos e os consumidores enfrentam desafios significativos. “Se há fôlego financeiro para ajudar, a Kearney sugere algumas ações a essas empresas”, afirma Mehta. “O levantamento aconteceu nos Estados Unidos, mas é um comportamento que temos visto replicado no Brasil. Igualmente, as ações que empresas de pagamentos, bancos e emissores de cartões podem tomar para ajudar clientes também se aplicam por aqui. Inclusive, já vemos iniciativas nesse sentido”, avalia o especialista. Entre essas ações estão:
- Liberar taxas para os comerciantes
- Ajudar comerciantes com questões técnicas – muitos estão incentivando o uso de cartões e carteiras digitais, mas têm sofrido com as implicações técnicas envolvidas.
- Ajudar as empresas a migrarem para os negócios online
- Ajudar comerciantes a explorarem novas formas de gerar receita – muitos possuem ativos que agora estão subutilizados. Por exemplo, as academias poderiam locar equipamentos, utilizando serviços de adquirentes para receber valores.
Bancos e emissores também podem contribuir
As instituições financeiras e as empresas emissoras de cartões de crédito também podem adotar medidas para ajudar em momentos como o imposto atualmente pelo COVID-19. Alguns exemplos de ações incluem
- Oferta de empréstimos específicos para PMEs
- Oferta de opções para redução de gastos e tarifas com serviços contratados, por exemplo.
- Opções para pagamentos parcelados das faturas ou de empréstimos, a juros reduzidos.
- Mudanças nos programas de recompensas.
“Estas são apenas algumas poucas ideias. São tempos difíceis para todos. Se você tem a capacidade financeira de ajudar, faça-o. Seus clientes lembrarão que você estava ao lado deles no momento difícil”, observa Mehta.