Um estudo realizado pela London Business School, em setembro de 2021, apresentou um resultado curioso: colaboradores reagem pior a pedidos de horas extras feitos por líderes mulheres – e tendem a negá-los com mais frequência, quando comparados aos pedidos feitos por homens.
A pesquisa mostra que os profissionais faziam, em média, 1,4 hora a menos por mês em empresas geridas por mulheres porque viam nelas menos autoridade.
Embora possa parecer pouco tempo, o apontamento da pesquisa serve como um alerta de que elas ainda não são tão respeitadas como os homens que ocupam as mesmas posições no mercado de trabalho.
Além disso, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) publicou a pesquisa “Estatísticas de gênero: indicadores sociais das mulheres no Brasil”, que aborda do assunto.
No início da pandemia o estudo revelou que 62,6% dos cargos gerenciais são ocupados por homens, enquanto 37,4% são ocupados por mulheres. Além disso, destacou também a diferença salarial média, que ficou em torno de R$2.555,00 para eles e R$ 1.985,00 para elas.
Ao olhar para as faixas etárias mais elevadas, a ocupação dos altos postos fica ainda mais discrepante. O Instituto aponta que, entre pessoas com 60 anos ou mais, as mulheres ocupam 32,6% dos cargos, sendo que os homens estão em 78,5% das lideranças.
Esse cenário tende a ser prejudicial para o desempenho da organização, para citar apenas um dos problemas que a desigualdade de gênero pode provocar.
Papel social ainda é desafio
A inclusão também é parte da solução desse problema. Segundo a psicóloga Ana Margarida Rogeiro, em seu artigo Papéis de Gênero: rosa para meninos e azul para meninas?, é na infância que os indivíduos aprendem os papeis sociais a serem desempenhados pelos grupos em geral.
“A sociedade exige que adotemos determinadas atitudes e comportamentos para nos inserirmos nela e é desde cedo que a aprendizagem dessas diretrizes começa. Uma delas está relacionada com os papéis de gênero, em que são esperados determinados comportamentos baseados em estereótipos pré-existentes”, adiciona a terapeuta.
Segundo a teoria, o fato de os homens serem mais prestigiados em suas carreiras, por exemplo, também pode dizer respeito a esse papel desenhado pela sociedade.
“Por isso mesmo, focar na comunicação interna para promover a inclusão das mulheres pode ser uma maneira construtiva de comunicar que todas e todos têm responsabilidades na construção de um ambiente menos discriminatório e mais representativo”, reforça Denise Pragana, gerente de Atendimento do Núcleo de Comunicação Interna da Trama Comunicação.
Denise Pragana, gerente de atendimento do núcleo de CI do Grupo Trama Reputale.
Mais informação, menos discriminação
O primeiro passo para mudar esse quadro é dar atenção à linguagem adotada nos canais de comunicação da empresa. As sugestões abaixo são valiosas para qualquer conteúdo destinado a colaboradores ou, até mesmo, para públicos externos:
1) Quando possível, prefira termos que remetam a mais de um colaborador
Não: O colaborador deve falar com o RH
Sim: A equipe deve falar com o RH/O time deve falar com o RH
2) Prefira o imperativo
Não: O candidato deve apresentar o seu currículo até o fim da semana.
Sim: Envie o seu currículo até o fim da semana.
3) Comunicação não violenta
A adoção da comunicação não violenta também é muito importante, ao promover a conexão entre todos os colaboradores de uma empresa, sejam homens ou mulheres, de forma empática e respeitosa.
“Romper com a linguagem sexista e promover o entendimento faz com que as mulheres se sintam convidadas a fazer parte do ambiente de trabalho, principalmente quando ele é tipicamente masculino”, aponta Naiara Francine Del Vecchio, analista de Comunicação da Trama Comunicação.
Naiara Del Vecchio, analista de Comunicação Interna do Grupo Trama Reputale
Confira outras recomendações
Valores e dados de mãos dadas
Entender as estatísticas dos canais de comunicação da sua empresa pode ser o primeiro passo para promover a igualdade entre homens e mulheres. A mensuração de dados e métricas é fundamental para entender quais problemas precisam ser atacados com mais frequência, assim como os temas que reverberam com maior força junto aos colaboradores.
Em complemento, a promoção de valores corporativos relacionados à inclusão costuma ter um efeito poderoso no combate ao preconceito.
Workshops, Palestras e Treinamentos
Essa é uma das maneiras mais rápidas e diretas de mostrar aos colaboradores que a organização valoriza o tema e deseja uma transformação no comportamento de seus colaboradores. Mas para funcionar, precisa ser parte de ações de longo prazo, como campanhas de comunicação interna e outras iniciativas, como a que veremos abaixo.
Rede de multiplicadores em CI
Garantir que a comunicação chegue aos quatro cantos da empresa pode não ser uma tarefa tão simples quanto parece. A rede de multiplicadores é composta por colaboradores e tem como objetivo disseminar informações que possam ser cruciais para a empresa, como a igualdade de gênero.
Preocupar-se com a manutenção das redes de multiplicadores é uma etapa primordial para dar continuidade a elas. Manter o diálogo constante torna os agentes cada vez mais participativos.
Então lembre-se de promover a escuta ativa para acolher o que a sua rede tem a dizer a respeito do ambiente de trabalho para as mulheres.